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ONE OF THE GREATEST HEROES OF THIS CENTURY
by José Gonsalves Bettencourt


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Dr. Aristides de Sousa Mendes is easily one of this century’s greatest heroes. Defying his superior’s orders, he saved thousands of people in France, in the middle of the century’s biggest conflict, World War II. He never felt sorry for what he did, though he did it at great personal cost.

Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches was born in Cabanas de Viriato, in Beira Alta, Portugal, on July 19, 1885. His family had aristocratic origins. His father had been a judge, and Sousa Mendes’ twin brother César would become Foreign Minister in 1932/33 under the regime of António de Oliveira Salazar. Sousa Mendes studied law at Coimbra University and obtained his law degree in 1908. In 1910, he married his childhood sweetheart, Angelina. Shortly after, he began his diplomatic career which would take him and his family around the world.
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Aristides de Sousa Mendes with Rabbi Kruger

His first assignment was British Guyana, followed by Zanzibar, capital of British East Africa, from 1911 to 1918, except for a period of one year that the family had to return to Portugal for medical reasons. In 1918 and 1919 he was placed in Curitiba, Brasil; He worked in San Francisco (USA) from 1921 to 1924, Maranhão and Porto Alegre, Brazil, 1924 to 1926; Vigo, Spain, from 1927 to 1929; Antwerp, Belgium, 1929 to 1938; and finally Bordeaux, France. The couple’s first child, Aristides was only seven months old when the family was sent to British Guyana, and the youngest of 14 children, João Paulo, was born in Belgium. Two of the children died young. It was here in Bordeaux, France, that Dr. Sousa Mendes’ humanitarian efforts would help save tens of thousands of refugees, but would also end his career and bring disgrace to his family.

(Article below printed in The Portuguese Tribune, San Jose, CA - March 15, 1998. "Portuguese Diplomat Honored by Bay Area Organization", by Catherine Gong.)

In the Summer of 1940, Aristides de Sousa Mendes was strolling down the street in Bordeaux, France. Nothing would have prepared him for the chance meeting he was going to have that would change his life and the lives of thousands forever. As de Sousa Mendes turns the corner, a desperate man approached him. The man was Rabbi Chaim Kruger. He told de Sousa Mendes that his wife and five children were seeking refuge in Southern France from the Nazis, who were now in control of Northern France. Immediately recognizing de Sousa Mendes as the Portuguese consul, Kruger pleaded for entry visas into neutral Portugal. Rabbi Kruger then told de Sousa Mendes that it was not only his family’s fate that was threatened, but the lives of all Jews. When Kruger told him about the mobile shooting squads and death camps, de Sousa Mendes was appalled. Knowing full well that his government was fearful of Hitler’s possible invasion of neutral Portugal, de Sousa Mendes knew of his country’s appeasement policies with Germany. One of those policies strictly forbade any Portuguese consulate to issue entry visas to refugees - especially Jewish refugees.

Torn between obeying his government and his conscience, de Sousa Mendes was faced with the decision of enormous consequences. To issue entry visas to Kruger’s family was against government policy, but possible; but if he issued entry visas to the thousands of Jewish refugees, he would jeopardize Portugal’s neutrality. Despite the consequences, de Sousa Mendes came to a decision, "I cannot allow these people to die." "Many are Jews, and our constitution says that the religion, or politics of a foreigner shall not be used to deny him refuge in Portugal."

From June 16-18 de Sousa Mendes, along with two family members and Rabbi Kruger, hand wrote and stamped more than thirty thousand visas. News of these "backdoor" visas spread, and the Portuguese foreign minister sent two emissaries to officially remove de Sousa Mendes from his post. While de Sousa Mendes was being forcibly driven back to Portugal by emissaries, they passed through Bayone and Hendaye. They saw thousands more pleading for help at the Portuguese consulates, and de Sousa Mendes ordered the driver to stop. Despite staunch resistance from the Portuguese emissaries and the two other consulates, he said "I have not yet been removed from my position. I am still your superior." With that said, de Sousa Mendes assembled all the necessary papers, stamps, and seals and continued to save more lives. Even when he was forcibly taken from the consulates’ desks and to the Portuguese border, he guided Jewish refugees across the border to make sure that the guards would not turn them away.

Upon his return to the foreign ministry’s headquarters in Lisbon, de Sousa Mendes was immediately dismissed. Stripped of his diplomatic status, prohibited from practicing law, and shunned from society, de Sousa Mendes and his family of fourteen were penniless and forced to eat in soup kitchens. In 1954, he died unrecognized and in abject poverty. However, according to one report, to his dying day, he was convinced that the sacrifice he had made was insignificant in comparison to the rescue of those in distress.

Since his death, de Sousa Mendes has been recognized in a traveling photo exhibit, "Visas for Life", honoring diplomats who risked everything to save Jews and other refugees from Hitler’s death camps. This exhibit will be shown at the United States Capitol in Washington D.C., and at Yad Vashem in Israel. It has been shown at the Simon Wiesenthal Museum of Tolerance, and in the district office of Congressman Tom Lantos. Moreover, de Sousa Mendes’ children have been dedicated to memorializing their father’s memory, and established the International Committee to Commemorate Dr. Aristides de Sousa Mendes.

For more information about this organization, which is located in the Bay Area, please write to:

International Committee to Commemorate
Dr. Aristides de Sousa Mendes
c/o John Paul Abranches
3263 Vineyard Ave. #47
Pleasanton, CA 94566, USA

tel: (925) 461-4930
fax: (925) 484-9216

Aristides de Sousa Mendes - Um dos Maiores Heróis Portugueses
The Portuguese Tribune, San Jose, CA, 15 de Setembro de 1998
Por José Gonçalves Bettencourt

O artigo do Portuguese Tribune, de São José, California, 15 de Março de 1998, Portuguese Diplomat Honored by Bay Area Organization, gerou-me interesse em conhecer melhor a história de um verdadeiro heroí português - o Dr. Aristides de Sousa Mendes. Depois de ler o artigo, eu entrei em contacto com um dos filhos deste ilustre português, o Sr. João Paulo Abranches, para obter mais informações sobre a vida do seu pai. O Sr. Abranches foi muito amável e mostrou-se muito agradecido pela minha curiosidade sobre os feitos do seu pai. Durante a nossa longa conversa, ele deu-me um resumo dos actos heróicos pelos quais o seu pai ficou conhecido, mas que também o levaram à ruina financeira, profissional, e social.

O Sr. Abranches indicou-me dois livros escritos sobre a vida do Dr. Aristides de Sousa Mendes: Injustiça: O Caso Sousa Mendes; Rui Afonso 1990, e Um Homem Bom: Aristides de Sousa Mendes; Rui Afonso, 1995. Eu adquiri os dois através da Livraria Arco-Íris, de Lisboa. Pelo menos o segundo pode ser pedido em qualquer biblioteca da California Public Library Inter-Loan Program. A J.A. Freitas Library, de San Leandro, também possui estes. Outro livro que saíu há pouco, e que promete também ser leitura histórica interessante é Salazar e Pétain - Relações luso-francesas durante a Segunda Guerra Mundial (1940-1944); Helena Pinto Janeiro, 1998. Este livro, como o título indica, debruça-se mais sobre a política do ministro Salazar.

O primeiro livro descreve o processo injusto do Dr. Sousa Mendes muito detalhadamente, mostrando bem claro a atitude do governo da época e o interesse pessoal do então Ministro dos Negócios Estrangeiros, António de Oliveira Salazar, em punir um dos seus súbditos que tinha agido contra as suas ordens (Circular #14, de 11 de Novembro de 1939) de não emitir vistos de entrada em Portugal "a judeus expulsos dos países da sua nacionalidade ou de aqueles de onde provêm". Essa circular incluia exemplos de muitos outros refugiados que Salazar proibia de entrar em Portugal. Os vistos que podiam ser emitidos tinham que ser previamente authorizados por Lisboa, outra forma de alongar o processo e minimizar o número de refugiados a entrar no país. E ainda mais: As pessoas só receberiam vistos se tivessem já passagens pagas para saírem de Portugal.

O segundo livro relata os acontecimentos que ocorriam na Europa, e na França mais concretamente, durante a Segunda Guerra Mundial, quando da invasão da França pelas tropas nazis, e descreve o dilema e luta que o Dr. Sousa Mendes enfrentou ao decidir o que fazer: seguir cegamente as ordens (desumanas, da teoria fascista) de Salazar ou seguir a sua consciência de pai cristão católico e salvar o maior número de pessoas possível, não olhando a etnias, nacionalidades, ou posses financeiras.

O Dr. Aristides de Sousa Mendes emitiu uns 30,000 vistos, provavelmente conseguindo salvar um número ainda muito maior de refugiados (cada visto servia para uma família inteira). Estes refugiados provinham de todas as classes sociais e de todas as religiões. Sousa Mendes não olhou a essas diferenças nem se aproveitou do momento para fazer fortuna como muitos outros fizeram (a alguns nem levava dinheiro). Tentou salvar todos que lhe pediam ajuda. Ouvia-se já das atrocidades que as tropas nazis vinham a cometer sobre as populações dos territórios invadidos e conquistados. Muitos destes refugiados, salvos pelo Dr. Sousa Mendes, teriam certamente acabado nas fornalhas do Holocausto, do qual a História nunca mais esquecerá.

O meu objectivo aqui não é só descrever a vida e os actos corajosos do Dr. Sousa Mendes pormenorizadamente, mas sim incentivar as pessoas (os portugueses em particular) a conhecerem a história do mundo e de Portugal, vista de vários ângulos. A História ensina-nos muito do bom e do mau que tem occorido através dos tempos. É por vezes difícil de acreditar que já no nosso século se têm cometido atrocidades inmencionáveis, e se tem matado indiscriminadamente. Incluo aqui também as nossas guerras coloniais onde se matou "às carradas" (aldeias inteiras, e depois o interro feito com tractor). Aprendendo com o passado, é tempo de todos começarmos a fazer algo para tentar acabar com as injustiças que ainda hoje se praticam pelo mundo.

Por mais incrédulo que pareça, ainda existem pessoas que pensam que o nosso Salazar foi um santo só por causa da sua prática religiosa. Mas longe disso (podemos-lhe dar algum valor no princípio do seu governo, quando realizou o "milagre financeiro"). Será que essas mesmas pessoas também têm simpatia por Hitler, Mussolini, ou Franco (líderes da mesma ideologia, que mataram milhões)? Será que sentem saudades da PIDE a "respirar-lhe pelo pescoço abaixo" a todo o passo? Será que não acreditam que o Holocausto aconteceu? A Igreja Católica dessa época também pecou ao apoiar a política do governo da época, fechando os olhos ao que se passava a nível nacional, colonial e mundial, mas isso seria material para outro artigo.

Pela sua coragem humanitária, o Dr. Sousa Mendes foi proibido de praticar Direito em Portugal, perdeu grande parte da sua reforma, perdeu as suas propriedades, acabou por ter que recorrer com a família às cantinas judaicas de Lisboa para matar a fome, e morreu na miséria. Os seus oito filhos e quatro filhas também sofreram muito, e muitos deles tiveram que emigrar por causa da descriminação perpetuada pelo governo. Ironicamente, Salazar ficou bem visto internacionalmente pelos actos do Dr. Sousa Mendes.

Quando nos orgulharmos de sermos portugueses, não esqueçamos o Dr. Aristides de Sousa Mendes. Este Herói não precisou matar nem conquistar para se tornar, a meu ver, num dos nossos maiores Heróis de sempre.

José Gonçalves Bettencourt

Para os interessados em conhecer mais sobre o Dr. Aristides de Sousa Mendes, haverá uma palestra a 4 de Outubro de 1998, pelas 4:00 da tarde, no salão da S.E.S. de Santa Clara, CA. Durante a palestra teremos a presença de João Paulo Abranches, filho do ilustre Português, que mostrará um filme de 57 minutos sobre os feitos do seu pai. Também haverá cópias de vários artigos escritos sobre o Dr. Sousa Mendes. A entrada é grátis e todos são convidados.

Nota: Recentemente (fins de 1998), José-Alain Fralon, jornalista francês do Le Monde, escreveu Le Juste de Bordeaux, baseado em arquivos portugueses e franceses bem como entrevistas com a família do Herói e familiares dos refugiados salvos em França, Portugal, Bélgica e Estados Unidos.


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